Todos os Nomes

Daqui a pouco já estamos comendo rabanada. E para mim parece que o ano está apenas começando. Descompasso. E nesses dias de outubro de novembro e dezembro. E nesses dias de trabalho que estão vindo, tenho escrito menos poesia. Parece que a palavra deu um tempo. Porque ela precisa dele, do tempo, ela só vem quando o tempo saboreia. E no dorme, acorda, come, corre, levanta, ela até aparece, mas não dá tempo de pegá-la, afagá-la, de catá-la no papel, como a menina que caçava fadas… Mas tenho lido bastante. Estou experimentando José Saramago: “Todos os Nomes”. Parei neste trecho (paro quando gosto da passagem e fico um pouco nela):

 O diálogo fora dífícil (…) se não fosse estar o seu espírito atento aos múltiplos sentidos das palavras que cautelosamente ia pronunciando, sobretudo aquelas que parecem ter um sentido só, com elas é que é preciso mais cuidado. Ao contrário do que em geral se crê, sentido e significado nunca foram a mesma coisa, o significado fica-se logo por aí, é direto, literal, explícito, fechado em si mesmo, unívoco por assim dizer, ao passo que o sentido não é capaz de permanecer quieto, fervilha de sentidos segundos, terceiros e quartos, de direções irradiantes que se vão dividindo e subdividindo em ramos e ramilhos, até se perderem de vista…