maio – maria

Gosto do mês de maio. Acho que é o mês que mais gosto. Me parece um mês generoso. Não é a toa: é mês de Maria. Mês de mãe. Mês de ser mãe, ou de se tornar uma. Acho que em maio tudo fica mais leve. Acontece. No maio tem a Flor de Maio que é linda linda. Trouxe, em uma vez, aqui para casa, uma muda desta flor, mas ela nunca desabrochou. É tão triste isto. Seu Josefino, que está me ensinado a cuidar de plantas, disse que este ano ela vai florir. Vou sempre lá, conversar com ela, mas talvez não tenha dado carinho suficiente a ela … sei lá. Às vezes acho que não entendo nada de flor e de todas essas palavras que rimam com ela. 

Espero que neste maio minha Flor me surpreenda.

Hoje tive um dia; daqueles dias que gosto de ter. Acordar tranquila, no tempo, andar de bicileta, ver gente na rua, andando na praia. Rezar pro mar, do arpoador, ver um homem vendendo quejo qualho andando descalço e o mar batendo no pé dele. Arrumar a casa, cuidar da casa é cuidar de mim. Tomar um banho cantando leve. E escolhi Chet Baker para ouvir nesta tarde onde todos estão ligados no futebol e eu aproveito para ficar em silêncio, cavucar passados, reler palavras dadas, histórias minhas, me inspirar de cheiros de flor, de maio, e lá no fundinho dá uma cócega, vontade de chorar, mas não choro. Tomo um café para comemorar. O mês, o maio, o meu amor, Maria.

(acho engraçado, quando escrevo, sou tão romântica… vivo minha escrita tão alegre… mas existem outras… vou tentar exercitá-las em papel também, se isto for possível! Há mistérios que não se revelam – pois, senão, não seriam mais mistérios)