o tempo…

 Estou me despedindo de uma menina: Carol Conway.

Quando estamos próximos, muito próximos das pessoas, a relação promove todos os tipos de sentimentos que não entendemos de primeira, só depois que nos distanciamos. Agora me lembro deu e dela, ali no palco, tentando se entender, eu dando vida à ela e ela me dando caminhos. Carol Conway é uma personagem de J. W. Priestley, a filha mais nova da família Conway; e na peça “O Tempo e os Conways”, (q estudei este semestre e atuei numa montagem guiada por Renato Icaray),  Carol representava a vida, a alegria, a arte, o lúdico. Apesar de uma linguagem realista e todas as composições dos personagens desta peça passarem por este caminho, senti que a Carol não, a Carol era metafísica, mais que uma persona, uma personagem, quisá uma entidade, um símbolo. Mas agora vejo que era apenas uma menina, como uma que eu fui há tempos atrás, quando já sentia que eu era diferente porque gostava muito de dançar, atuar e escrever, dessas meninas que curtem pensar por outro prisma, sem esforço, só porque assim é, porque tem de ser. Conversei muito com o amigo Renato Luz sobre este processo do ator frente a um personagem que se dá vida. Ele me contou que o dele, o Ernest Beevers, às vezes ficava ali ao lado dele. Acho isso tão próprio, tão de quem faz, que não tem muita explicação a se dar. Processo de criação é processo de criação. E cada um é tão bonito. Carol me fez me reencontrar comigo de antigamente, e me fez feliz. Apesar de outras não felicidades, agora fico com a felicidade mais presente. A da troca e da saudade. UM ELOGIO AO ARTISTA, foi a presença da Carol na minha vida.

fotos: renato mangolin - http://picasaweb.google.com.br/arquivomangolin
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