no silêncio que o sol queima

“No silêncio que o sol queima” é um dos contos de Marina Colasanti que influenciou minha escrita. Está no livro Contos de Amor Rasgado. Outro livro de Marina que também recomento é Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento. Ela trabalha com o fantástico, recria fábulas, e nos diz tudo a respeito do amor, da morte, do tempo e da mulher… Amo o conto “A mulher ramada” que está neste livro. Em Contos de Amor Rasgado, Marina trabalha com prosa-poética, contos curtos e repletos de imagens… loucas e lindas imagens…
Posto este: “No Silêncio que o sol queima”:
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No meio do trigal, pernas abertas, abrigava pássaros. Era sempre assim. Com a chegada do verão sentia-se fértil, ensolarada de desejo, mãe da terra. E deitava-se entre as hastes rígidas, as espigas túrgidas, à espera. Logo, pardais vinham aninhar-se entre suas coxas, fazendo-a suspirar com a doce carícia das asas. Esmagava entre os lábios pétalas de papoulas, e gemia. Fremir de plumas, pequenos bicos, breves pios, delícias. E as línguas do sol sobre os seus seios. Mas era só ao entardecer, quando o gavião em vôo desenhava círculos de sombra sobre o outro, lançando-se como pedra entre suas carnes para colher o mais tonto dos pardais, que as hastes estremeciam enfim, inclinando as espigas ao supremo grito. 

Mariana Colasanti – Contos de Amor Rasgado

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 “O Primeiro Amor de Maritéia” é claramente uma experiência literária minha após a leitura de Marina.

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