madrugada 2

o galo canta

ouço o galo cantar

canta galo

Michael Jackson me espanta

e avisa que o mundo de ser criança

não é eterno

nem nunca será

por isso o galo canta

há tempos não conseguia

não escrevia

tenho muito para contar

quando se tem a coisa na mão

tudo se apavora

como Michael Jackson

ele tinha a oportunidade de fazer do mundo um lugar melhor

mas isto é apenas o de sonhar

fantasia é coisa líquida

(é coisa líquida ou é coisa que esfumaça mas não molha?)

tudo que esfumaça não molha

hoje olhei para as coisas da mesa de trabalho. trabalho fantasia. ouvi em choro o que alguém dizia que era para parar. para. pára. que ela, a fantasia. que não devia. que este mundo em que vivia é fantasia. mundo de borboletas. e antes da cama, do sono. a fantasia ficou líquida no rosto e a vontade foi que ela desaparecesse junto com as lembranças que Michael Jackson trazia. tem vezes que a fantasia se transforma em monstro e isso não tô afim. não tô afim. a infância, também a persigo Michael! buscamos esse mundo que queremos que seja melhor, mas ficamos ali destruindo possibilidades de dar conta da presença alegre do presente. a presença alegre do presente é cafona? é cafona, mas que se foda. só a presença alegre do presente pode ser. esse é o exercício. tem que ser simples. a infância não é barroca, não. a gente, quando se afasta dela, é que a complica. o barroquismo vem quando a mulher menstrua. vira lua. e tudo fica barroco depois disso. o homem já não sei. se há barroco em algum homem é porque é do signo de água. a infância é do simples. é o olhar que deve olhar o mundo. mas a necessidade de fome e de sexo perverte tudo. entende o mito de eva. e isso é natural. olha para isso. encara serpente. se alevanta e segue sendo Gente. deixa a infância material concreta no dia, concreta na hora, a infância é ali que o galo canta.

o sol levanta

ouço o galo cantar

ouço o galo cantar.

o canto do galo tem gosto de café da manhã

e essa hora da manhã, madrugada 2, coração dói

e sinto Saudade

 

(escrevo sem forma e esta passa ser a forma de escrever. transito linguagens. me permito. desde o dia 09 de maio que tento escrever sobre o dia 09 de maio. para na verdade agradecer tudo o que foi o dia 09 de maio. por causa de vocês. por causa de casa pessoa que foi estar junto comigo. mas tenho a impressão que não preciso, cada um sabe da maravilha. maravilha que é fazer um livro, por isso entendo que vocês celebraram comigo. novas escritas surgem. permito. as escuto. não escrevo. mas esta veio na falta de sono e é bom escrever aquilo que não foi a intenção formal. texto corrido para mim virou virtual.)

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Um comentário sobre “madrugada 2

  1. obrigado nove de maio.
    porque esperei até quase sete de julho
    para dar conta disso.
    obrigado galo por sempre cantar.
    obrigado presença alegre do presente.
    obrigado signo de água em mim.
    obrigado violinos de neruda.
    obrigado.
    de nada.

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