lente de contato

Tenho entendido que, de fato, e é possível, vejo as coisas diferentes do que são. Através de uma lente, o meu contato com o mundo é criado. O olhar, os sentidos, os poros são essa lente. Vejo chifre em cabeça de cavalo e o chamo de unicórnio.

 

Unicórnio…

 

Estou tentando aceitar a idéia de que o unicórnio existe porque só eu o vejo, mas ele é um cavalo. Dizem que isso na verdade é loucura. Eu respondo, é poesia. Mas se for loucura, tenho que me entender com ela. Não é? (Então, enfeito caixinhas de fósforos e coloco a loucura ali, guardadinha, pronta para quem quiser abrir: www.casadavovo.wordpress.com)

 

Mas acho que isso se esclareceu para mim há pouco tempo quando vi na tv uma entrevista com o poeta Manoel de Barros. Ele dizia justamente que as pessoas falavam que ele tinha um parafuso a menos. Ele prefere pensar que na verdade tem um parafuso a mais. E é este parafuso a mais que o possibilita ser o que é: poesia.

 

“Tudo o que não invento é falso.” – é frase de Manoel de Barros para se pensar muito, com todos os sentidos, e do avesso. Ver as coisa de outra forma que não a sua também é o supra-sumo da importância. Não sei até que ponto isto é possível, abandonar-se a si e lançar-se a um outro lugar. O lançamento é necessário. Mas um pé está sempre amarrado ao umbigo. Sem que esta palavra tenha o peso que costumam dar. O umbigo é necessário. Esse nozinho na barriga que lembra a origem, os vínculos, a origem desvirginada da vida. Será que consiguimos sair de nós mesmos? Acho que Wittgenstein é que dizia que “o limite de meu mundo é o limite de minha linguagem”. Eu posso expandir minha linguagem, ficar de cabeça para baixo, me transfigurar do avesso, e, assim, expandir mundos? Expandir mundos… Sim.

 

 

Um pé em si, um pé no espaço. Àrvore de raizes e asas.

 

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