Passado a Limpo ou

Do Difícil Diálogo com a Palavra que me Cria ou

    …É  …Quando se Pergunta, Encontra-se Resposta.  

E o desabafo triste do momento de silêncio existe.

Um resumo de tristeza e alegria com o mundo.

Um encontramento com o mundo.

Uma aceitação com o mundo que se afigura para mim na minha realidade.

Minha comunhão com o mundo.

Meu encontro comigo e com o outro – o próprio mundo.

Borges diz que a leitura e a escrita NOS APARTAM DO MUNDO.

O apartar de Borges talvez seja não o mesmo que o meu.

O meu apartar do mundo é para depois apertá-lo contra o peito,

abraçá-lo e amá-lo de jeito que ele é.

Por que assim se desenhou para mim e para quem quer que nele esteja.

Escolhas são compromissos de amor com o caminho.

Embora não somos nós às vezes que as tomamos.

Essa onipotência…

Muitas vezes somos tomados por elas.

E minha imaginação está em paz.

E sabe dos limites do corpo e da alma.

Lembro sempre

penso com o ar, livre, alegre,

mas planto com as mãos.

Penso com a imaginação, escrevo com as mãos.

Corpo e alma presentes.

Mais que tudo. Planto com as minhas mãos.

E ando a passos reais,

vivos e sóbrios.

Ando a passos possíveis.

E passo por possíveis monstros…

E estão todos dentro de mim.

E neles me transformo.

E com eles caminho.

E com eles tento conversar vez em quando.

Tento ser sincera com tudo que o mundo me oferece.

E tudo que escolho

E tudo que ex-colho

E tudo que colho: dissabores, amores, gentilezas, dores

Disso tudo faço alimento pro meu coração.

E disso tudo sou grata.

E esses afetos todos

tento retribuir através delas, mãos, palavras.

Como Violeta Parra.

É simples assim, a vida.

Talvez exista uma criança assombrada e alegre,

Mas que já está sentada em meu colo de serpente.

E eu canto cantigas para ela.

E ela também me alimenta com seu olhar manso e feliz

Que me conta de um tempo outro, de um tempo futuro e passado,

onde moram os seres imaginários de Jorge Luiz Borges.

E eu apenas cumpro o ofício de noticiar isto em forma de poesia… nada mais.

Poeta sem frenesi, sem fantasia.

É simples assim o mundo.

Mais uma vez o duplo, dois mundos, duas realidades distintas,

duas figuras em uma mesma escrita.

Como ontem que houve duas luas no céu:

uma, a própria,

e a outra, marte (o deus da guerra!) que cresceu.

Marte criou impropérios no céu.

E não há lugar para loucuras por aqui, nestes versos.

Concretos.

Versos de deserto. De lápis. De papel.

E mesmo assim

Sinto que as palavras às vezes promovem abismos de entendimentos.

(…de mim mesma com a Palavra que me cria…)

Sinto que existe uma realidade daqui que não se sabe.


4 Respostas to “Passado a Limpo ou”

  1. Todos tenemos dentre de si una especie de conspiración dunámica
    que se mueve mientras vivimos. No es otra cosa que la lucha del bien y el mal; y que a veces se revela hasta convertirse en blanco y negro.Congratulaciones.

  2. Bom dia! Uau… texto ‘impressionantemente’ belo!

  3. adoro suas poesias

  4. Todos temos o tempo todo esses momentos do passado, passado a limpo, simplesmente pra a partir dali prosseguir com o presente leve e livre… Não é fácil não nos desprender de certas coisas.
    Um bom texto viu?
    As palavras lhe flui livremente, parabéns.

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