no silêncio que o sol queima
No meio do trigal, pernas abertas, abrigava pássaros. Era sempre assim. Com a chegada do verão sentia-se fértil, ensolarada de desejo, mãe da terra. E deitava-se entre as hastes rígidas, as espigas túrgidas, à espera. Logo, pardais vinham aninhar-se entre suas coxas, fazendo-a suspirar com a doce carícia das asas. Esmagava entre os lábios pétalas de papoulas, e gemia. Fremir de plumas, pequenos bicos, breves pios, delícias. E as línguas do sol sobre os seus seios. Mas era só ao entardecer, quando o gavião em vôo desenhava círculos de sombra sobre o outro, lançando-se como pedra entre suas carnes para colher o mais tonto dos pardais, que as hastes estremeciam enfim, inclinando as espigas ao supremo grito.
Mariana Colasanti – Contos de Amor Rasgado
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”O Primeiro Amor de Maritéia” é claramente uma experiência literária minha após a leitura de Marina.

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Leia e volte sempre!
Essa coisa com aves me deu um pouco de aflição … sei lá, penso logo nas pombas (tenho pavor delas)
Mas de qualquer forma é uma escrita impressionante … que definitivamente não passa inócua …
beijo
Oi Lindão…
… a aflição faz parte da charada!!! rs.
Estou redescobrindo Marina…num excelente momento! Conhece o da tecelã? É muito lindo também….
Beijos