Arthur Rimbaud

•dezembro 7, 2009 • 1 Comentário

 

“Porque Eu é um outro. (…)

Afirmo que é preciso ser vidente, fazer-se vidente. O poeta se faz vidente por meio de um longo, imenso e racional desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; buscar a si, esgotar em si mesmo todos os venenos, a fim de só lhes reter a quintessência. Inefável tortura para qual se necessita toda fé, toda força sobre-humana, e pela qual o poeta se torna o grande efermo, o grande criminoso, o grande maldito, – e o Sabedor Supremo!”

saiu hj no 2o caderno do O Globo.

Prova Dionisíaca nos Campos de Morangos

•dezembro 7, 2009 • 2 Comentários

ou Compartilho perplexidades

ou Aperto no peito com a escolha do caminho

ou Guenta firme que seguro na sua mão

  
De repente, sai de uma caixa preta uma cascavel
em forma de apatia que perplexa e vai deixando tudo imóvel
e tira todo o sangue do que se resta
Ela tira o sangue de quem se basta
A prova da salamandra quer ver quem resiste!
Resta ser somente marionetes em cena
Os tais Mephistos que se calam
Que se desdobram
Que se suam
 E que morrem após cada ato
 Que espetáculo bárbaro foi visto ontem
Naquele circo
Que tristeza essa estranha perplexidade que se fecha em silêncio
 E que vontade de choro por questões de estrada  em comunhão escondida no peito
Silêncios e mais silêncios.
Numa noite de espetáculo
Um bando de atores foram atacados por uma entidade ruim
Eu te compartilho e te preciso, amigo.
Precisamos de quem nos veja, de quem nos vele, de quem nos escute, de quem nos cuidem.
O mundo é em conjunto.
Que Baco esteja conosco.
Mas, que Deus não nos abandone!
E que o meu Deus e todos os Deuses e os Deuses de todos estejam convosco.
E que cada um faça a sua parte.
 Por que se entrega?
Por que se larga?
Por que se suja?
Silêncios e mais silêncios.
Há tanta tristeza nisto.
A Prova Dionisíaca é esta.
A verdadeira crueldade da nudez com navalha na carne.
Agüenta bode de Deus.
Acredita que essas criaturas malamadas ficam no mesmo lugar com o cheiro ocre no estômago
Já o Tempo nos fará passar por mais uma dessas…
Com lanças e espadas nas mãos
Limpam os atores o camarim
E jogam as baratas pelo ralo
Voltem para o seus lugares
Pois nós vamos incendiar tudo
Nos vamos iluminar esse breu imundo
Eles acham, eles querem, eles tentam
Mas há algo que os puxam, que os sugam
Terrível e divina caixa preta
Que suporta luz e sombras
E que guarda dentro da cartola
Criaturas abomináveis que nos colocam à prova.
E elas estarão sempre lá
À espreita para dar o bote
E a gente que se fode para continuar brincando.
O gran finale
De mil e um dias de devoção
É este.
É trágico.
É bíblico.
É triste.
É teatro.
É circo,
mas não é cômico.
E vamos rir.
Pois os Campos de Morangos hão de viver para sempre.

Amora Fields Forever

Complexa.Alice

•novembro 4, 2009 • Deixe um comentário

 

rackham_alice

Transborda e alaga a casa.

Quase que tudo queima,

Depois que derrama.

 

Não é Alice, mas bem que poderia

Entrar numa viagem dessa.

E achar uma chave que a oriente.

Que oriente.

 

Se não achar a chave,

Que saída?

 

Se contenta em encontrar a pílula

que perdeu. 

 

 Queria ter coragem

de tomar apenas uma

e dormir.

 

 
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